
O Guia ESG do Turismo Brasileiro, lançado pela Embratur em agosto de 2026, foi elaborado de ponta a ponta pela Inovae Soluções Sustentáveis. Foram cerca de dez meses de trabalho: pesquisa internacional, escuta do trade turístico, redação, ferramentas práticas e capacitação de empreendedores.
O guia é gratuito e orienta hotéis, pousadas, operadoras, bares e restaurantes, experiências turísticas e órgãos oficiais de turismo a organizar, medir e comunicar suas práticas ambientais, sociais e de governança (ESG). O foco é evidência, não discurso.
A demanda é real. O Brasil recebeu 9,3 milhões de turistas internacionais em 2025, com US$ 7,9 bilhões em receitas, recorde histórico. Ao mesmo tempo, 75% dos viajantes globais querem opções sustentáveis, mas menos de um terço sabe identificá-las (Booking.com, Sustainable Travel Report 2025). O guia dá ao setor o método para fechar essa distância com dados verificáveis.
O que é o Guia ESG do Turismo Brasileiro
O guia é um material técnico e prático, organizado em 8 blocos sequenciais. Do Bloco 2 ao 6, ele conduz a empresa pelas cinco etapas da Jornada ESG: diagnosticar, planejar, implementar, medir e comunicar.
| Bloco | Tema | O que a empresa faz |
|---|---|---|
| 1 | Por que o Guia ESG é importante | Entende o novo contexto do turismo internacional e os riscos de greenwashing |
| 2 | 1ª etapa: Onde estamos? | Define a intenção estratégica e faz o autodiagnóstico ESG |
| 3 | 2ª etapa: Como começar? | Prioriza temas na Matriz Esforço × Impacto e define metas SMART |
| 4 | 3ª etapa: ESG na prática | Executa o plano de ação do seu segmento em ciclos de 30, 60 e 90 dias |
| 5 | 4ª etapa: Ferramentas práticas | Registra indicadores mensais e avalia o Radar de Maturidade a cada trimestre |
| 6 | 5ª etapa: Comunicação | Comunica só o que tem evidência e escolhe a trilha de certificação |
| 7 | Casos de referência | Aprende com sete casos brasileiros, como o Grupo Rio da Prata (Bonito/MS) e o Ibiti Projeto (MG) |
| 8 | Fechamento | Define o próximo passo concreto |
Para quem é. Empresas em qualquer nível de maturidade, do Elementar ao Transformador. O guia traz planos de ação específicos para cinco segmentos: meios de hospedagem, operadoras de turismo, bares e restaurantes, órgãos oficiais de turismo e experiências turísticas.
Ferramentas incluídas. Planilhas editáveis com Autodiagnóstico ESG, Matriz de Priorização e Plano de Ação por segmento, que traz também o Registro Mensal de Indicadores e o Radar de Maturidade ESG. Os indicadores estão ligados aos critérios do GSTC (Conselho Global de Turismo Sustentável), da GRI (Global Reporting Initiative) e aos ODS da ONU.
Sem greenwashing. O Bloco 6 ensina a comunicar apenas o que está comprovado. É uma resposta direta à Diretiva (UE) 2024/825, que proíbe alegações ambientais genéricas sem prova no mercado europeu.
Como a Inovae construiu o guia: as etapas do projeto
O guia não foi escrito de gabinete. Ele nasceu de pesquisa técnica e de um ciclo de construção coletiva com quem opera o turismo no dia a dia.
- Contratação (outubro de 2025). Assinatura do Termo de Referência com a Embratur, com dois objetos: o Guia de Boas Práticas em ESG e a mensuração das emissões de GEE da agência.
- Mapeamento de stakeholders (dezembro de 2025). Lista estratégica de atores com representatividade nacional nos segmentos-alvo: hospedagem, operadoras, bares e restaurantes e secretarias de turismo.
- Pesquisa e benchmarking internacional (janeiro de 2026). Análise de frameworks (GSTC, GRI, ODS, ABNT PR 2030, ISO 21401) e de referências como Bonito/Fundtur-MS, Braztoa, EmbraturLab e Travelife. Leitura do impacto da regulação europeia (CSRD, Diretiva 2024/825 e EUDR) na ponta brasileira.
- Alinhamento com as lideranças da Embratur (fevereiro de 2026). Validação das premissas do guia: linguagem acessível para pequenas e médias empresas, GSTC como destino da jornada e não como barreira, e um mínimo aplicável em 90 dias.
- Diagnóstico de maturidade do setor (março de 2026). Com a régua da ABNT PR 2030, o trade avaliou 17 temas. A média ficou em 2,8 numa escala de 1 a 5: as práticas existem, mas faltam estrutura, métricas e integração à gestão.
- Construção com o trade (março a julho de 2026). Workshops com empreendedores, com a plataforma Feel Brasil e com o destino Paraty (DestinoLab). Dez temas materiais foram priorizados, de gestão de água a comunicação anti-greenwashing.
- Redação e ferramentas (a partir de maio de 2026). Conteúdo entregue em blocos, com autodiagnóstico, matriz de priorização, planos de ação por segmento, indicadores e Radar de Maturidade.
- Revisão técnica e diagramação (junho e julho de 2026). Conteúdo entregue à revisão técnica da Embratur em 18/06 e versão diagramada, alinhada ao Manual de Marca, em 16/07.
- Lançamento e disseminação (agosto de 2026). Publicação gratuita no site da Embratur e webinar de apresentação ao setor.
Em paralelo, a Inovae elaborou o inventário de emissões de GEE da própria Embratur, nos Escopos 1, 2 e 3 do GHG Protocol. A agência que orienta o setor também mede a sua pegada.
Entrevista: Patrícia Zanchi, sócia da Inovae e head de Hotelaria Sustentável
Patrícia Garcia Zanchi co-liderou o projeto ao lado de Alessandra Bressan Barbosa, CEO da Inovae. Ela conta como o guia foi construído e o que muda para quem trabalha com hospedagem.
Como surgiu o projeto e qual era o desafio?
“A Embratur precisava de uma referência de ESG que o setor conseguisse aplicar de verdade. Não fazia sentido entregar mais um documento de conceitos. O desafio era traduzir padrões como GSTC, GRI e ABNT PR 2030 para a rotina de uma pousada, de uma operadora, de um restaurante.”
O que vocês descobriram ao ouvir o setor?
“Que o turismo brasileiro já faz muita coisa: compra de fornecedores locais, separação de resíduos, contratação na própria comunidade. No diagnóstico com o trade, a maturidade média ficou em 2,8 numa escala de 1 a 5. A prática existe. O que falta é registrar, medir e comunicar com evidência. O setor não pediu conscientização, pediu método.”
Como foi construir o guia junto com o trade?
“Foram nove encontros, com as lideranças da Embratur, empreendedores do trade, a plataforma Feel Brasil e o destino Paraty. Foi ali que fechamos os princípios do guia: utilidade imediata, linguagem acessível, progressividade e respeito à realidade de cada negócio. O horizonte de 90 dias para as primeiras ações também saiu dessas conversas.”
O que diferencia este guia de outros materiais de ESG?
“Ele vem com ferramentas prontas para usar. O autodiagnóstico leva de 20 a 30 minutos. A matriz de esforço e impacto mostra por onde começar. Cada segmento tem um plano de ação em Excel com responsável, prazo e indicador. E a regra de comunicação é clara: primeiro organizar, depois comunicar. Isso protege a empresa do greenwashing, inclusive involuntário.”
O que muda para hotéis e pousadas?
“O plano para meios de hospedagem tem 14 ações, com indicadores de energia, água, resíduos, fornecedores locais e política de sustentabilidade. Um hotel que registra o consumo de energia por unidade habitacional ocupada durante 12 meses passa a ter argumento concreto para operadoras e plataformas de reserva. E o guia mostra as trilhas seguintes, como o Green Key e a ISO 21401.”
Como a Inovae apoia quem quer ir além do guia?
“Com o Programa Hotelaria Sustentável. Levantamos o consumo de energia e água e a geração de resíduos por unidade hospedada, identificamos os desperdícios e implantamos um sistema de gestão ambiental alinhado à ISO 14001. O guia mostra o caminho. O programa é para quem quer percorrê-lo com apoio técnico e resultado medido.”
Qual o primeiro passo para quem está começando?
“Designar um responsável e fazer o autodiagnóstico. Parece pouco, mas é o que destrava todo o resto.”
Onde acessar o guia
O guia é gratuito e está disponível nos canais oficiais da Embratur:
- Guia ESG do Turismo Brasileiro (PDF): versão completa, com os links para os planos de ação em Excel de cada segmento (Bloco 4).
- Página Sustentabilidade e ESG da Embratur: acesso ao guia e aos relatórios de sustentabilidade da agência.
- Embratur apresenta Guia ESG para competitividade no turismo (RuraltecTV): cobertura do lançamento e do webinar de apresentação ao setor.
Programa Hotelaria Sustentável: menos custo, sustentabilidade comprovada
A mesma equipe que elaborou o Guia ESG do Turismo Brasileiro conduz o Programa Hotelaria Sustentável da Inovae. Ele é feito para hotéis, pousadas e redes hoteleiras que querem reduzir custos operacionais e comprovar suas práticas a hóspedes, operadoras e plataformas de reserva.
O que está incluído:
- Diagnóstico de energia, água e resíduos por unidade hospedada
- Sistema de gestão ambiental alinhado à ISO 14001
- Plano de redução com metas por indicador
- Capacitação da equipe operacional
A Inovae também apoia empresas do turismo com inventário de gases de efeito estufa no padrão GHG Protocol e com o Programa ESG na Sua Empresa.
Fale com a Inovae
- Site: inovaeconsultoria.com
- E-mail: projetos@inovaesustentavel.com
- WhatsApp Brasil: (48) 98812-2293
- Portugal: +351 912 417 717
- Agende uma conversa: conte o seu cenário e retornamos com escopo e prazo.
Perguntas frequentes
O Guia ESG do Turismo Brasileiro é gratuito?
Sim. O PDF completo está disponível no site da Embratur, com os planos de ação em Excel de cada segmento.
Quem elaborou o Guia ESG do Turismo Brasileiro?
A Inovae Soluções Sustentáveis, contratada pela Embratur, entre outubro de 2025 e agosto de 2026.
Para quem é o guia?
Meios de hospedagem, operadoras de turismo, bares e restaurantes, experiências turísticas e órgãos oficiais de turismo, em qualquer nível de maturidade ESG.
Como começar a aplicar o guia?
Designe um responsável e faça o autodiagnóstico ESG do Bloco 2, que leva de 20 a 30 minutos.